segunda-feira, 6 dezembro, 2021
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ARTIGO: OITO OU OITENTA

A humanidade nunca aprendeu a viver com equilíbrio, quem detém o poder sempre é dono da verdade e, como demonstra séculos de história, impõe sua verdade aos outros.

Vivemos em um tempo iluminado em que cada um tem a sua verdade e todos se respeitam, certo? Errado, tudo continua como sempre foi, “não há nada de novo debaixo do sol” (Eclesiastes 1:9).

Durante os tempos da “Santa Inquisição” a Igreja Católica detinha, além do poder espiritual, o poder político, então ela ditava o que era certo e o que era errado, e quem não concordasse com seus dogmas, era considerado herege e, como tal, era perseguido, preso, torturado, tudo em nome de Deus e da verdade.

Hoje a balança do poder pende para o progressismo, que basicamente, é a crença de que as sociedades podem passar da barbárie à civilização, mediante o fortalecimento das bases do conhecimento. Algumas de suas bandeiras são justas (assim como eram justas e cheias de boas intenções as motivações católicas para a inquisição), algumas dessas bandeiras são por exemplo: acabar com a discriminação entre os sexos e com o preconceito contra os homossexuais, nada mais justo.

Só que para isso, criaram uma nova “Santa Inquisição” que persegue, prende, demite as pessoas que pensam de forma diferente. Estão impondo a sua verdade na marra, como muitos outros já fizeram na história, com resultados contrários aos pretendidos. Tudo isso em nome da verdade, do respeito ao outro e da democracia.

Afinal de contas, pensam eles “porque não acabar com o bárbaro pensamento cristão de que homossexualismo é pecado, e que esse pensamento é que é a causa dos preconceitos? Vamos convertê-los à essa “verdade”, mas se não o fizerem, nós os demitiremos, perseguiremos e os prenderemos porque estão atrapalhando o progresso, são hereges (nazistas, fascistas, homofóbicos, misóginos… [alguns sinônimos de hereges para o progressismo]). Por causa deles e de outros é que o respeito às diferenças não se estabelece e o mundo não pode chegar à paz e à Justiça Social”. Será mesmo?

O que falta entender é que respeito às diferenças, também é, quando cada um tem direito a pensar e expressar-se, mas mesmo assim, continuar a ter uma boa convivência.

Cristãos não devem se meter se os homossexuais querem se casar, pois é um direito deles conduzir suas vidas da maneira que acharem melhor. Ao mesmo tempo, os movimentos LGBTQIA+, não devem forçar o padre ou pastor a celebrar o casamento (ou a deixar de acreditar que isso é pecado) pois estarão agredindo a fé cristã. Cada um na sua, mas cada um respeitando o outro e tendo boa convivência.

Os Judeus e os Samaritanos (eram um só povo, mas tornaram-se dois povos depois da morte de Salomão quando o reino foi dividido em dois) tinham várias divergências políticas e religiosas inconciliáveis.

A parábola do bom Samaritano nos ensina várias coisas, dentre elas destaco: Que o homem é bom ou ruim independente de ser judeu, samaritano, político, religioso, negro, branco, hétero ou homossexual, e segundo e mais importante, é que o meu próximo, é todo e qualquer ser humano e que eu devo amá-lo como eu amo a mim mesmo. (Segundo Cristo o judeu e o samaritano, o cristão e o ateu, o bolsonarista o lulista e os terceiras-vias são próximos uns dos outros).

Sobre aceitar o diferente, recorro de novo aos ensinamentos de Jesus Cristo quando ele salvou uma mulher adúltera de ser apedrejada. Ele não concordava com o que ela havia feito (tanto é que Ele despachou a mulher dizendo: “vá e não peques mais”. João 8:10-11) mas a amou e a salvou do apedrejamento lembrando ao “pessoal do bem” da época que eles poderiam não ter praticado o mesmo pecado, mas certamente tinham praticado outros e assim o mínimo que poderiam fazer no momento era ter compaixão daquela senhora.

Quando se age coercitivamente, impedindo o livre pensamento, o que mais se consegue é prejudicar a pessoa honesta que exprime seus pensamentos e premia-se os maus e os que só querem se dar bem e para isso escondem o que pensam e o que são de verdade para fingir que estão do “lado do “bem”, sendo assim, pessoas hipócritas que são verdadeiramente homofóbicas, condenarão por homofobia pessoas que não o são, verdadeiros bandidos condenarão pessoas honestas, é isso o que a falta de liberdade faz.

Pra terminar eu trago o exemplo de minha esposa e sua prima. Elas sempre foram grandes amigas, no entanto, no início da “polarização” uma ficava tentando converter a outra, até que perceberam que ninguém ia mudar a opinião de ninguém, e que não iam chegar a lugar algum, entenderam que a amizade delas era mais importante e resolveram parar de converter uma à outra.

Hoje elas se amam do mesmo jeito, mesmo achando que são um verdadeiro absurdo as ideias políticas uma da outra.
Viva e deixe viver. Lute pelo que acha certo, mas não se torne um déspota para chegar ao objetivo, os fins não justificam os meios.

Autor: Francisco Antônio Florêncio Monteiro

 

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