O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com participação da CUT e demais centrais sindicais, lançou no dia 7, em São Paulo, a Jornada Nacional de Debates “Disputar a renda, reduzir a jornada – o trabalho no centro do desenvolvimento”. O objetivo é fortalecer a mobilização pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial e pelo fim da escala 6×1. No Rio Grande do Sul, nos dias 15 e 19 haverá atividades, que serão detalhadas em breve.
A proposta é desenvolver uma ampla campanha de mobilização social e sindical em defesa da aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e estabelece o fim da escala 6×1. As atividades acontecerão em estados onde o Dieese possui escritórios regionais e combinarão debates, formação política, produção de conteúdo, articulação sindical e mobilizações populares. A data prevista para a votação final no plenário do Congresso Nacional é o dia 27 de maio.
A coordenadora técnica do Dieese, Adriana Marcolino, afirmou que a discussão sobre redução da jornada não pode ser tratada apenas como um debate sobre tempo de trabalho, mas como uma disputa direta sobre a riqueza produzida pela classe trabalhadora e apropriada pelo setor financeiro e pelos grandes grupos econômicos. “A desigualdade de renda também está relacionada à jornada e à forma como os empregadores superexploram os trabalhadores com jornadas exaustivas”, explicou.
A vice-presidente nacional da CUT e presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, afirmou que as próximas semanas serão decisivas para garantir a aprovação da proposta de redução da jornada de trabalho sem redução salarial e do fim da escala 6×1. Ela ressaltou que a pauta avançou por conta da mobilização construída pelo movimento sindical nos últimos anos, incluindo o plebiscito popular realizado em 2025, que reuniu cerca de 2 milhões de assinaturas em defesa da redução da jornada e da taxação dos super-ricos e o papel do governo federal no avanço da pauta.
Juvandia lembrou que a reivindicação já conquistou apoio majoritário da população. Ela citou pesquisas que apontam cerca de 70% de apoio popular ao fim da escala 6×1 e afirmou que parlamentares já sentem o impacto político da discussão. A dirigente rebateu ainda os argumentos do setor empresarial de que a redução da jornada provocaria desemprego ou fechamento de empresas. “É terrorismo”, afirmou. “Falaram a mesma coisa quando foi reduzido de 48 para 44 horas.”
Ampliação da precarização
Durante o lançamento da Jornada Nacional, o Dieese apresentou estudo técnico que fundamenta a defesa da redução da jornada de trabalho como instrumento de desenvolvimento econômico e social. O cenário atual é marcado por aumento da intensidade do trabalho, ampliação da precarização e deterioração das condições de vida da população trabalhadora. Segundo Marcolino, o avanço das tecnologias e o crescimento da produtividade não foram convertidos em melhoria da qualidade de vida da classe trabalhadora. Pelo contrário, houve intensificação do ritmo de trabalho, maior controle sobre o tempo dos trabalhadores e expansão de modelos de contratação precários.
Os dados mostram que o Brasil produz riqueza suficiente para reduzir a jornada sem reduzir salários. Segundo o estudo, o país possui atualmente 102,9 milhões de pessoas ocupadas e um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 10,9 trilhões. Apesar disso, a distribuição da renda produzida continua extremamente desigual.
O Dieese destacou que parte significativa dessa riqueza é apropriada pelo sistema financeiro ou remetida ao exterior. Somente em 2025, o Brasil enviou US$ 44 bilhões em lucros e dividendos para fora do país. Ao mesmo tempo, o endividamento das famílias brasileiras atingiu o recorde de 80,4%, demonstrando deterioração das condições de vida da população trabalhadora.
Segundo Marcolino, os ganhos de produtividade registrados nas últimas décadas não foram convertidos em melhoria proporcional das condições de vida da classe trabalhadora. “O aumento da produtividade ficou concentrado no capital”, afirmou.
O estudo apresentado pelo Dieese também desmonta a afirmação dos empresários de que jornadas mais longas significam salários maiores. Os dados revelam que trabalhadores e trabalhadoras submetidos a jornadas entre 41 e 44 horas semanais recebem, em média, menos do que aqueles que trabalham 40 horas. Além disso, os setores com maior incidência de jornadas superiores a 40 horas – como agropecuária, comércio e construção civil – não são os que têm os maiores salários.
Calendário
O calendário da Jornada nos estados para discutir a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 terá seminários, debates e mobilizações, teve início, no dia 7, com atividades em São Paulo, Distrito Federal e Paraíba, e segue conforme o cronograma abaixo.
| 07 de maio: Paraíba São Paulo e Distrito Federal |
| 12 de maio: Santa Catarina |
| 13 de maio: Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul e Paraná |
| 14 de maio: São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Sergipe |
| 15 de maio: Rio Grande do Sul e Pará |
| 16 de maio: Maranhão (seminário) |
| 19 de maio: Pernambuco e Rio Grande do Sul |
| 20 de maio: Rio Grande do Norte |
| 21 de maio: Belo Horizonte |
| 22 de maio: Manaus |
| 28 de maio: Paraíba |
Fonte: CUT Brasil
Foto/Crédito: André Accarini/CUT





