sexta-feira, 5 junho, 2026
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NA ONDA DE TRUMP? Deputado do PL propõe projeto que pode caracterizar sindicatos e movimentos sociais como “terroristas”

Na última sexta-feira, 29, o deputado General Pazuello (PL-RJ) apresentou projeto de lei que permite caracterizar protestos de sindicatos e movimentos sociais como “terrorismo”. Essa caracterização pode gerar penas de até 30 anos de prisão para sindicalistas e ativistas.

O projeto apresentado por Pazuello foi numerado como PL 2730/2026. Ele altera partes da lei 13.260/2016, conhecida como Lei Antiterrorismo.

Em um de seus itens, o projeto altera a caracterização de “terrorismo” no art. 2º da lei, incluindo “obrigar indevidamente os poderes públicos, ou uma organização internacional” e a prática de “influenciar as políticas de modo a constranger o funcionamento regular das instituições impulsionado por motivações políticas, religiosas ou sociais”.

Em seu art. 2º, inciso IV, a lei atual traz uma lista de locais onde é caracterizado como terrorismo “sabotar o funcionamento ou apoderar-se, com violência, grave ameaça a pessoa ou servindo-se de mecanismos cibernéticos, do controle total ou parcial, ainda que de modo temporário”. O projeto de Pazuello amplia essa lista para incluir “quaisquer dos locais arrolados no artigo 250, 1º , inciso II, do Código Penal”. Esses locais são os seguintes: casa habitada ou destinada a habitação; edifício público ou destinado a uso público ou a obra de assistência social ou de cultura; embarcação, aeronave, comboio ou veículo de transporte coletivo; estação ferroviária ou aeródromo; estaleiro, fábrica ou oficina; depósito de explosivo, combustível ou inflamável; em poço petrolífico ou galeria de mineração; em lavoura, pastagem, mata ou floresta.

O centro do projeto, porém, é a revogação completa do parágrafo 2º do art. 2º da lei. Esse trecho diz o seguinte: “O disposto neste artigo não se aplica à conduta individual ou coletiva de pessoas em manifestações políticas, movimentos sociais, sindicais, religiosos, de classe ou de categoria profissional, direcionados por propósitos sociais ou reivindicatórios, visando a contestar, criticar, protestar ou apoiar, com o objetivo de defender direitos, garantias e liberdades constitucionais, sem prejuízo da tipificação penal contida em lei”.

O projeto aguarda envio para as comissões onde deverá tramitar na Câmara dos Deputados.

Na onda de Trump?

Mais uma vez, o combate ao terrorismo é utilizado como subterfúgio para outros interesses. Na semana passada, o governo dos Estados Unidos, de Donald Trump, decidiu classificar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Com essa decisão, Trump abriu a possibilidade de que o governo dos EUA pressionem o Brasil e interfira no país por meios diplomáticos, jurídicos, financeiros e até mesmo militares.

A decisão ocorre poucos meses depois de Trump lançar uma iniciativa chamada “Escudo das Américas”. Apresentada em março, a ideia busca ampliar a influência dos Estados Unidos na região. Oficialmente voltado para o combate ao narcotráfico, ao crime organizado e à imigração irregular, o “Escudo das Américas” reúne Argentina, Bolívia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Honduras, Panamá, Paraguai e os próprios Estados Unidos.

Quem é Pazuello

General do Exército e deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro, Eduardo Pazuello foi ministro da Saúde do governo de Jair Bolsonaro (PL). Sua gestão ficou marcada pela desastrosa gestão da pandemia de covid-19 no Brasil. Ele foi um dos entusiastas do uso da cloroquina como “tratamento precoce” contra a covid, indicação sem nenhuma comprovação científica. Pazuello também estava à frente do Ministério no caso do colapso dos hospitais em Manaus, quando, em janeiro de 2021, faltou oxigênio para os pacientes.

 

Foto/Crédito:  Jefferson Rudy/Agência Senado

Fonte: Sintrajufe/RS

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