A capital paraense foi palco, neste fim de semana, da 11ª edição da Marcha das Mulheres Negras de Belém, que reuniu centenas de participantes em defesa da igualdade racial, dos direitos das mulheres negras e da valorização da ancestralidade. A mobilização integrou a programação do Julho das Pretas, agenda nacional de atividades que marca o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho.
Realizadas em diversas cidades brasileiras, as manifestações tiveram como eixos centrais a defesa da reparação histórica pelas desigualdades provocadas pelo racismo estrutural e a promoção do Bem Viver, conceito que propõe um modelo de sociedade baseado no cuidado, na coletividade, na valorização da ancestralidade e na preservação da vida.
Em Belém, a marcha percorreu o entorno da Praça da República, no centro da cidade. A escolha do local teve forte significado histórico. Segundo uma das organizadoras do evento, Flávia Vieira, parte da praça foi construída sobre um antigo cemitério de pessoas escravizadas, tornando o espaço um símbolo da memória e da resistência da população negra.
Com o tema “Ancestralidade, um projeto de futuro que se faz agora”, a edição deste ano reforçou a importância de reconhecer o legado das gerações que antecederam a luta por direitos e de transformá-lo em ação política no presente.
Para Flávia Vieira, a marcha também representa um chamado à participação cidadã e à defesa dos direitos humanos.
“É um tema que nos convida a refletir sobre a importância dos direitos humanos e sobre a importância que precisamos dar ao nosso voto. Nós somos o maior grupo político e vamos decidir as eleições. Por isso, precisamos escolher bem as pessoas que vão nos representar”, destacou.
O Julho das Pretas reúne, anualmente, organizações e movimentos sociais de todo o país em ações de combate ao racismo, ao sexismo e às desigualdades, reafirmando a luta das mulheres negras por reconhecimento, dignidade, justiça social e participação política.
Fonte: Agência Brasil
*Foto: Reprodução Marcha das Mulheres Negras em Belém. Criada por: Gabriela Ribeiro





