quarta-feira, 7 janeiro, 2026
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Além da imunização: estudo mostra que vacinas trazem proteções inesperadas para idosos

Pesquisas indicam que imunização contra gripe, Covid-19 e herpes-zóster reduz riscos cardiovasculares e de demência em pessoas acima de 50 anos.

O benefício principal de vacinas como a contra herpes-zóster, gripe ou infecções respiratórias já é bem conhecido: elas protegem contra doenças que podem causar complicações graves, especialmente em idosos. Mas pesquisas recentes revelam que essas imunizações oferecem benefícios adicionais significativos, reduzindo riscos de problemas cardiovasculares e até de demência.

Segundo reportagem do The New York Times, esses efeitos são chamados de “benefícios fora do alvo” pelos médicos. “A pesquisa se acumulou e acelerou nos últimos 10 anos”, afirmou ao jornal americano o médico William Schaffner, especialista em doenças infecciosas da Universidade Vanderbilt.

A geriatra Stefania Maggi, pesquisadora do Instituto de Neurociência do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália, liderou uma meta-análise publicada na revista britânica Age and Ageing que encontrou riscos reduzidos de demência após vacinação contra diversas doenças. “Dadas essas repercussões, as vacinas são ferramentas essenciais para promover o envelhecimento saudável e prevenir o declínio físico e cognitivo”, disse Maggi.

Proteção cardiovascular comprovada

As evidências mais robustas dos benefícios adicionais das vacinas vêm de estudos sobre a imunização contra gripe, com dados acumulados ao longo de 25 anos. Idosos saudáveis vacinados contra influenza apresentam riscos substancialmente menores de hospitalização por insuficiência cardíaca, pneumonia e outras infecções respiratórias. A vacinação também está associada a riscos reduzidos de infarto e AVC.

A vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), aprovada em 2023, pode ter efeitos semelhantes. Um estudo dinamarquês recente com grande número de participantes identificou queda de quase 10% nas hospitalizações cardiorrespiratórias entre vacinados, em comparação com um grupo de controle.

“Não acho que o VSR se comporte de maneira diferente da gripe”, disse ao The New York Times a médica Helen Chu, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Washington. “É apenas muito cedo para ter as informações sobre o VSR, mas acho que mostrará o mesmo efeito, talvez até mais.”

A vacinação contra Covid-19 também tem sido associada a menor risco de desenvolver Covid longa, condição que pode causar danos duradouros à saúde física e mental.

Vacina contra herpes-zóster e demência

Entre os achados mais surpreendentes está a relação entre vacinação contra herpes-zóster e taxas mais baixas de demência. Pesquisadores da Universidade Stanford aproveitaram um experimento natural no País de Gales em 2013, quando a primeira vacina contra a doença passou a ser oferecida para pessoas com menos de 80 anos.

Ao longo de sete anos, as taxas de demência em participantes aptos para vacinação caíram 20%, mesmo que apenas metade tenha realmente recebido a vacina, em comparação com aqueles que ficaram de fora por pouco. Estudos na Austrália e nos Estados Unidos também encontraram reduções nas chances de demência após vacinação contra herpes-zóster.

Na meta-análise conduzida por Maggi, que incluiu 21 estudos envolvendo mais de 104 milhões de participantes na Europa, Ásia e América do Norte, a vacinação contra herpes-zóster foi associada a redução de 24% no risco de desenvolver demência. A vacinação contra gripe apresentou redução de 13%. Pessoas vacinadas contra infecção pneumocócica tiveram redução de 36% no risco de Alzheimer.

A vacina Tdap, contra tétano, difteria e coqueluche, recomendada para adultos a cada 10 anos, foi associada a redução de um terço no risco de demência.

Como as vacinas oferecem proteção extra

A principal hipótese para explicar esses benefícios adicionais foca na inflamação que surge quando o sistema imunológico se mobiliza para combater uma infecção. “Há danos ao ambiente ao redor no corpo, e leva tempo para se acalmar”, explicou Chu.

Os efeitos da inflamação podem durar muito além da doença inicial, permitindo que outras infecções se instalem ou causando infartos e AVCs quando coágulos se formam em vasos sanguíneos estreitados. A própria hospitalização é fator de risco para demência em idosos, que podem desenvolver delírio ou perder condicionamento físico durante internações.

É importante notar que praticamente todos os estudos sobre benefícios fora do alvo são observacionais. Como não é ético negar vacinas seguras e eficazes a grupos de controle, essas pesquisas estão sujeitas ao chamado “viés do voluntário saudável”, pessoas vacinadas podem também praticar outros hábitos saudáveis que as diferenciam das não vacinadas.

Embora pesquisadores tentem controlar diferenças como idade, sexo, saúde e educação, “só podemos dizer que há forte associação, não causa e efeito”, reconheceu Maggi ao jornal americano.

Por Diogo Rodriguez / Epoca Negócios

Foto/Crédito: Jefferson Peixoto/Secom – FOTOS PÚBLICAS

Fonte: https://epocanegocios.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2026/01/alem-da-imunizacao-estudo-mostra-que-vacinas-trazem-protecoes-inesperadas-para-idosos.ghtml

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