Em 2025, 1.470 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, batendo o recorde do ano anterior, que havia registrado 1.464 assassinatos, o maior dos últimos seis anos. Entre 2020 e 2025, o Brasil registrou 8.557 mulheres vítimas de feminicídio. Os dados são do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), que mostram uma média de cerca de quatro mulheres mortas por dia em razão do feminicídio no ano passado.
O número de feminicídios em 2025 pode ser ainda maior, uma vez que Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo ainda não enviaram os dados referentes aos crimes de dezembro. Isso evidencia o padrão de crescimento desse tipo de crime nos últimos anos. De 2020 a 2025, o aumento foi de 9,1%.
Mesmo sem os números de dezembro, São Paulo é o estado com mais casos em 2025: 233. Minas Gerais é o segundo, com 139, seguido pelo Rio de Janeiro, 104. O Rio Grande do Sul é o sétimo estado, com 80 feminicídios.
Feminicídios em relação ao número de habitantes
Em números absolutos, São Paulo, o estado mais populoso do país, é o primeiro com mais crimes de feminicídio, mas registra uma das taxas mais baixas entre feminicídios e número de habitantes, 0,5. Os estados com as maiores taxas são: Acre 1,58; Rondônia, 1,43; Mato Grosso lidera, 1,36; Tocantins, 1,2; Amapá, 1,12; Piauí, 1,12; Mato Grosso do Sul, 1,09. No Rio Grande do Sul, a taxa foi de 0,71 feminicídios por 100 mil habitantes em 2025.
Crescimento de mais de 300% em 10 anos
A tipificação do feminicídio, quando uma mulher é morta pelo fato de ser mulher, foi criada em 2015.
Naquele ano, foram registradas 535 mortes de mulheres nessa circunstância. Houve crescimento de 316% em dez anos na comparação com 2025. Ao longo desse período, os números cresceram a cada ano, sem nenhum recuo.
Em dez anos, 13.448 mulheres foram mortas pelo fato de serem mulheres, o que representa uma média de 1.345 crimes por ano. Nesse período, São Paulo é o estado com o maior número de feminicídios, 1.774. Em seguida vêm Minas Gerais, 1.641, e Rio Grande do Sul, com 1.019 assassinatos de mulheres.
O número de tentativas de feminicídio também aumentou. O ano de 2025 registrou o total de 3.702 tentativas, uma variação de 16,3% em relação ao ano anterior, com 3.185. De 2020 até 2025, foram 15.214 casos de tentativas de assassinato contra mulheres, um aumento de 121,41%.
Legislação
A Lei do Feminicídio alterou o Código Penal e passou a tipificar esse crime no Brasil em 9 de março de 2015. A legislação abrange assassinatos de mulheres em contextos de violência doméstica, familiar ou motivados por misoginia.
Em 2024, o crime cometido contra mulheres por razões de gênero deixou de ser uma qualificadora do homicídio e passou a ser tipificado como um crime autônomo, com penas que variam de 20 a 40 anos de prisão.
Em 2026, a Lei do Feminicídio completa 11 anos desde a sanção da então presidente Dilma Rousseff (PT) em 9 de março de 2015. Em 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei que endurece a pena para quem cometer o crime. Agora, a prisão pode ser de até 40 anos, a maior prevista no Código Penal. Também haverá maior punição para ocorrências de lesão corporal e violência doméstica.
Com informações de G1 e Folha de S. Paulo
Foto/Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Extraído de: Sintrajufe/RS





