O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tornou obrigatória, em todos os tribunais brasileiros, a implementação do Protocolo Integrado de Prevenção e Medidas de Segurança voltado ao enfrentamento da violência doméstica contra magistradas e servidoras.
A decisão foi tomada na 17ª Sessão Virtual do Conselho, no fim de 2025, por meio do Ato Normativo de número 000910-80.2025.2.00.0000. O protocolo, presente na Recomendação CNJ n. 102/2021, foi transformado em Resolução para garantir, e agora de maneira ampliada, a proteção às mulheres do Judiciário.
Avanços
Em consonância com a Política Judiciária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, instituída pela Resolução CNJ n. 254/2018, a decisão promoveu avanços, como a ampliação da proteção às colaboradoras — em sentido amplo — e a seus familiares. O termo “colaboradoras” compreende estagiárias, residentes, aprendizes, trabalhadoras terceirizadas, comissionadas e voluntárias que atuam no âmbito do Poder Judiciário. Também estão previstos encaminhamentos psicossociais, sendo assegurado o atendimento das vítimas de violência por equipes multidisciplinares nos tribunais.
Pautada por princípios constitucionais, a nova resolução prevê, na implementação de suas normas, o acolhimento de diretrizes do CNJ relativas à inclusão e à proteção da população LGBTQIA+.
As diretrizes da resolução estabelecem um conjunto de medidas voltadas à proteção integral de magistradas, servidoras e colaboradoras em situação de violência doméstica e familiar, abrangendo ações de apoio, prevenção e conscientização por meio de campanhas e materiais informativos.
Além disso, estabelece que o Departamento Nacional de Polícia Judicial (DNPJ) terá 60 dias para apresentar proposta de Procedimento Técnico Policial para o primeiro atendimento às magistradas, servidoras e colaboradoras vítimas de violência doméstica.
Deverá ser criado também um programa permanente de capacitação para formar instrutores responsáveis pela qualificação da segurança institucional do Judiciário. Além disso, autoriza a celebração de convênios e parcerias interinstitucionais para fortalecer a aplicação do protocolo integrado de prevenção e medidas de segurança.
Protocolo
O Protocolo Integrado de Prevenção e Medidas de Segurança foi criado em resposta direta ao feminicídio da magistrada Viviane Vieira do Amaral, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), ocorrido em dezembro de 2020 e cometido pelo ex-marido na frente das três filhas do casal. A recomendação que incluía o protocolo buscou criar mecanismos de acolhimento, avaliação de risco e medidas de proteção personalizadas, garantindo que o Poder Judiciário oferecesse suporte efetivo às suas integrantes, alinhado às normas de direitos humanos e à política nacional de enfrentamento à violência contra as mulheres.
Comissão TRF1 Mulheres e Combate ao Assédio e à Discriminação
A 1ª Região conta, desde 2020, com uma Comissão criada com o objetivo específico de instituir a política de valorização da mulher na Justiça Federal e fomentar a igualdade da representatividade entre homens e mulheres. Essa Comissão, aliada à Comissão de Combate à discriminação e ao assédio, atua pelo bem-estar da presença e da atuação feminina no âmbito do TRF1. Em dezembro do ano passado, ambas participaram de acordo que assegura vagas nos contratos de trabalho a vítimas de vulnerabilidade – especialmente, a vítimas de violência doméstica (confira a notícia no portal).
Fonte: CNJ – com adaptações AL/Ascom-TRF1.
Foto/Crédito: Arquivo CNJ
Assessoria de Comunicação Social
Tribunal Regional Federal da 1ª Região





