sexta-feira, 9 dezembro, 2022
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36% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos não trabalham nem estudam

Estudo mostra que população de 18 a 24 anos, que “nem trabalha nem estuda”, é a segunda maior entre nações na esfera da OCDE — perde para África do Sul. País também é o 2º com pessoas nessa faixa de idade há mais de 12 meses sem atividade

O Brasil é o segundo país na esfera da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com a maior proporção de jovens, de idade entre 18 e 24 anos, que não conseguem nem emprego nem continuar os estudos — os chamados “nem-nem”. Os números são do relatório Education at a Glance (Olhar sobre a educação, numa tradução livre), divulgado ontem.

Um dos objetivos do levantamento é auxiliar na revisão e na definição de políticas voltadas à educação. De acordo com o documento, 35,9% dos jovens brasileiros estão nesta situação — proporção que é o dobro da média dos países membros da OCDE (da qual o Brasil não faz parte, mas é considerado um membro em potencial), que é de 16,6%. Só fica atrás da África do Sul, com 46,2%.

 

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gráfico ocde (foto: editoria de arte)

 

O relatório da OCDE avaliou a situação de ensino superior e de emprego dos 38 países membros da OCDE. Também foram analisados os dados da Argentina, China, Índia, Indonésia, Arábia Saudita e África do Sul. “Esse grupo, dos que não trabalham nem estudam, deveria ser uma grande preocupação para os governos, já que alertam para uma situação negativa de desemprego e desigualdades sociais”, salienta o documento.

Das 45 nações avaliadas, o Brasil também é o segundo com o maior percentual de jovens por mais tempo na condição “nem-nem”. Dos que estão sem emprego e sem trabalhar no país, 5,1% se encontram nessa condição há mais de um ano.

“Brasil, Grécia, Itália e África do Sul têm a maior proporção de jovens que sofrem de desemprego de longa duração: cerca de 5% ou mais dos jovens de 18 a 24 anos nesses países não estudavam e estavam desempregados há pelo menos 12 meses no primeiro trimestre de 2021. Isso os deixa particularmente em risco de desligamento de longo prazo do mercado de trabalho”, observa o estudo.

Ainda de acordo com o relatório, em todos os países analisados, a conclusão do ensino superior está ligada a mais oportunidades de emprego e melhores salários. Para o cientista político e diretor da Royal Politics, Rócio Barreto, o alto índice de jovens desempregados e sem estudar inviabiliza a entrada do Brasil na OCDE.

“Fica difícil para o Brasil querer entrar no clube dos ricos. São países que têm um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) bom. A gente também vê que esses países têm uma distribuição de renda maior, dão mais emprego e estudo para os jovens que queiram se preparar, diferentemente do Brasil”, observa.

O relatório destaca, ainda, que no Brasil apenas 33% daqueles que acessam o ensino superior conseguem terminar a graduação dentro do tempo previsto. Quase a metade (49%) só conclui o curso depois de três anos após o prazo programado.

Na avaliação de Barreto, faltam políticas públicas para que os jovens sejam inseridos no mercado de trabalho e que recebam uma educação pública de qualidade. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) é o responsável por enviar os dados educacionais do Brasil à OCDE.

Isabel Dourado*/Correio Braziliense
 
Foto/Crédito:
 

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