O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizará, no próximo dia 17 de agosto, uma nova reunião com embaixadores, representantes diplomáticos e organismos internacionais para apresentar o funcionamento da urna eletrônica e do sistema eleitoral brasileiro. O encontro será realizado na sede da Corte, em Brasília, e faz parte das ações de transparência promovidas pelo tribunal às vésperas das eleições de outubro.
A apresentação será conduzida pelo presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, que voltará a explicar o processo de votação eletrônica, os mecanismos de segurança adotados pela Justiça Eleitoral e as etapas de fiscalização do sistema.
A iniciativa ocorre após declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, que, durante encontro com embaixadores realizado em Brasília, questionou a confiabilidade das urnas eletrônicas e afirmou, sem apresentar provas, que parte dos equipamentos utilizados nas eleições brasileiras seria produzida pela empresa Smartmatic, associada ao sistema eleitoral da Venezuela.
Em resposta, o TSE reafirmou que a informação é falsa. Segundo a Corte, a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas nem desenvolveu softwares para as eleições brasileiras. O tribunal destacou que as urnas foram projetadas por servidores da Justiça Eleitoral e são fabricadas por empresas contratadas por meio de licitação pública.
O episódio remete à estratégia adotada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante as eleições de 2022, quando também reuniu representantes diplomáticos para fazer críticas ao sistema eletrônico de votação. Na ocasião, as alegações foram posteriormente consideradas infundadas pela Justiça Eleitoral.
Transparência e observação internacional
Esta será a segunda reunião promovida pelo TSE com representantes diplomáticos em 2026. Em 16 de junho, o ministro Nunes Marques já havia apresentado o funcionamento do sistema eletrônico de votação a 25 embaixadores.
Para o encontro de agosto, além dos diplomatas já credenciados no Brasil, foram convidados representantes dos Estados Unidos, da União Africana e da Liga Árabe.
O tribunal também informou que as eleições de outubro contarão com missões de observação eleitoral internacional. Entre as entidades confirmadas estão a União Europeia, a Organização dos Estados Americanos (OEA), o Parlamento do Mercosul (Parlasul), o Carter Center, a União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore) e a Rede de Organismos Eleitorais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (Rojae-CPLP).
Contexto diplomático
A nova apresentação do sistema eleitoral ocorre em meio a um momento de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. Na última sexta-feira (24), o governo brasileiro negou vistos de entrada a dois integrantes do Departamento de Estado norte-americano: Riley M. Barnes, secretário assistente, e Samuel Samson, secretário assistente adjunto.
Os pedidos de visto haviam sido apresentados em 20 de julho, um dia antes do evento em que Flávio Bolsonaro fez críticas às urnas eletrônicas diante de representantes estrangeiros. A negativa soma-se a outros episódios recentes de atrito entre os dois países, entre eles a revogação do visto do assessor do ex-presidente norte-americano Donald Trump, Darren Beattie.
*Com informações da Agência Brasil e Poder 360





