terça-feira, 28 junho, 2022
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Entenda os riscos da coinfecção por gripe e covid

Potencializados pelas festas de fim de ano, casos de dupla contaminação crescem no Brasil

Desde o começo da semana, após anúncio de Israel sobre uma paciente contaminada ao mesmo tempo por coronavírus e gripe, as menções e debates sobre coinfecções cresceram no mundo todo. A condição logo ganhou o apelido de flurona, uma mistura dos termos “flu” (gripe em inglês) e corona .

Em resposta, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já se apressou em desmotivar o uso da palavra. O temor é de que ela seja associada a uma nova doença, o que não é o caso das coinfecções em absoluto.

“Não é um vírus novo que apareceu, não é uma mistura de vírus da gripe com o coronavírus, não é nada disso. São os dois vírus que estão na mesma pessoa. O importante é ter o diagnóstico, porque nós temos medidas diferentes para cada uma das doenças e para as duas simultaneamente”, explica a médica infectologista Raquel Stucchi, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Coinfecções são comuns?

Israel não foi o primeiro país do mundo a relatar a ocorrência do coronavírus e da influenza em uma mesma pessoa. Em 2020, os Estados Unidos já observavam pacientes nessa situação. As coinfecções também não são desconhecidas da ciência, que estuda o assunto há décadas.

“Você tem a ocorrência de dois vírus. Em crianças isso é muito frequente, dois vírus em quadros de bronquiolite ou de pneumonia viral e a gente já teve também o caso dengue chikungunya”, exemplifica Raquel Stucchi.

No Brasil, que hoje enfrenta um surto de gripe de proporções nacionais, já há confirmações ou suspeitas de contaminação dupla no Ceará, No Rio de Janeiro, em Minas Gerais e em São Paulo. O vírus em circulação (H3N2 darwin) foi potencializado pelas viagens e aglomerações do fim de ano e pelo relaxamento do uso de máscara.

Stuchchi afirma que a situação não é usual, já que o verão não é o período de maior prevalência de gripe no Brasil, principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Segundo a pesquisadora, o relaxamento das medidas de proteção pesou na propagação.

“Nós temos uma população que não tem proteção contra esse vírus, porque ele não estava nas nossas vacinas contra a gripe, uma população que ficou dois anos em casa, quando saía usava máscara e não aglomerava. Agora, no final do ano, nós abrimos as nossas portas, nós paramos de usar máscara”, ressalta.

Quais são os riscos?

Ainda se sabe pouco sobre o risco potencial da contaminação mista por covid e gripe. Mas pesquisas mostram que pessoas contaminadas pelo coronavírus e por outro patógeno desenvolveram quadros graves em maior proporção. 

Um estudo publicado no periódico científico Plos One identificou que 19% dos pacientes com covid tiveram coinfecções, com impacto na gravidade dos casos, no tempo de internação e nas taxas de mortalidade. 

É importante ressaltar, que na época do levantamento, a vacinação contra o coronavírus ainda não estava avançada. A médica Raquel Stucchi reforça que os surtos combinados reiteram a importância da vacinação, “Nós já vimos, ao longo deste um ano em que estamos vacinando, que a vacinação é a única forma de fato de diminuir o risco de hospitalização e de diminuir as mortes”.

Ela alerta ainda que a presença da variante Ômicron exige esforços para aplicação de doses de reforço e que até a chegada da vacina contra o H3N2 darwin a população precisa se proteger. “Nós temos que fazer as mesmas coisas para bloquear a transmissão”.

Stucchi cita a higienização constante das mãos e o uso de máscaras, preferencialmente certificadas e que têm maior poder de filtragem. O equipamento deve ser mantido até mesmo em ambientes abertos que tenham grande quantidade de pessoas. Em ambientes fechados o item é obrigatório, especialmente onde há aglomerações.

E quem já está doente?

Desde as primeiras pesquisas sobre infecções combinadas de covid e outros patógenos, cientistas apontam a importância das testagens para evitar o agravamento da situação. Para Raquel Stucchi, a disponibilidade de testes “é uma medida urgente”.

A médica explica que essa investigação é primordial para definição dos tratamentos de quem apresenta sintomas. “O tempo de isolamento, de medicação antiviral e os sinais de alarme são diferentes”, pontua.

Pacientes que têm possibilidades de adquirir os exames, devem buscar o diagnóstico. A recomendação mais importante é buscar atendimento médico. Para gripe e para a covid, há medicamentos que podem ser usados para amenizar os sintomas. Também é essencial manter a atenção aos sinais do corpo.

“Na gripe, se a febre se prolonga depois do terceiro ou quarto dia, é sinal de que alguma outra infecção pode estar acontecendo, é preciso atendimento presencial. Idosos que mudam de comportamento, que têm quadro respiratório ou diarréia, quem tem muito cansaço, não consegue levantar, isso também exige atendimento presencial.”

Em qualquer ocorrência de sintoma, o isolamento é mais do que necessário, “Qualquer sintoma que você ache que pode ser covid, não vá para o trabalho, não vá para a escola. Se não se isola, você pode passar para outras pessoas, pode acometer crianças, que não estão vacinadas ainda, a gente pode acometer idosos, imunussuprimidos. Isso é extremamente importante”, finaliza Stucchi.

Edição: Leandro Melito

Escrito por: Nara Lacerda / Brasil de Fato

Foto/Crédito: Ascom/SMS (FOTOS PÚBLICAS)

Fonte: https://www.cut.org.br/noticias/entenda-os-riscos-da-coinfeccao-por-gripe-e-covid-a6e7

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