sábado, 25 junho, 2022
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Orçamento de 2022 mostra que governo Bolsonaro ‘não pensa nas demandas do país’

Pela proposta aprovada, patamar de investimentos públicos federais será o menor da história. Enquanto que o Ministério da Defesa será o principal agraciado em um ano de continuidade da crise sanitária e econômica

São Paulo – Para o cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Claudio Gonçalves Couto, o Orçamento da União para 2022, aprovado ontem (21), é um retrato da incapacidade do presidente Jair Bolsonaro (PL) de governar. Em entrevista a Glauco Faria, no Jornal Brasil Atual de hoje, Couto criticou o “corporativismo” do chefe do Executivo na elaboração da proposta de Lei Orçamentária. E destaca que as maiores verbas irão para os ministérios da Defesa – R$ 8,8 bilhões – e do Desenvolvimento Regional – com 8,2 bilhões. Já o patamar de investimentos públicos federais será o menor da história. 

“Gastar na Defesa nesse momento é dar um apoio muito grande aos militares e satisfazer a sua própria corporação. Um governo federal que se ocupa de satisfazer os desejos e interesses de uma corporação restrita, – e tem também um aumento que ele deu para foros de segurança –, mostra o tamanho desse governo: pequeno e que não consegue pensar o país de maneira ampla como um todo. Um país com uma série de demandas que precisam ser atendidas”, observa Couto.

Prioridades invertidas

Em um ano em que se espera a continuidade da crise sanitária e econômica, o governo Bolsonaro prioriza a compra de aeronaves e caças para a Força Aérea Brasileira. Ao todo, foi reservado um montante de R$ 1,2 bilhão para a aquisição desses equipamentos. O que é mais do que o orçamento reservado para o saneamento básico em todo o país – R$ 1 bilhão. “Há mais coisas para se fazer pelo Brasil, ainda mais em um momento de crise como esse que vivemos, com a economia em depressão e muita gente desempregada”, contesta o cientista político.

“No país, uma grande parte da população não tem sequer acesso ao saneamento básico. Isso seria uma prioridade de qualquer governo minimamente humano que se preocupasse com problemas que atingem a vida das pessoas naquilo que é mais sério, porque isso evidentemente afeta a saúde. Mas é bom lembrar que Bolsonaro é aquele que falou que o brasileiro seria resistente ao vírus (da covid) porque nada no esgoto. Então talvez para o presidente ter saneamento básico, para aqueles que precisam ter e não têm, não é uma coisa relevante. Isso mostra como o governo é”, acrescenta Couto.

O presidente também deve cumprir a promessa de destinar a reserva de R$ 1,7 bilhão para reajuste dos servidores às carreiras de segurança. Como a Polícia Rodoviária Federal, a PF e os servidores do Departamento Penitenciário Nacional.

Confira a entrevista 

Redação: Clara Assunção

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