A declaração da diretora-executiva jurídica da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Luciana Nunes Freire, durante audiência pública realizada nesta quarta-feira (1º) no Senado para discutir o fim da escala 6×1, provocou forte repercussão e críticas de trabalhadores e entidades sindicais. A fala reforçou o contraste entre a defesa da manutenção do atual modelo de jornada por parte do setor empresarial e a reivindicação dos trabalhadores por mais tempo de descanso e melhor qualidade de vida.
Ao defender a permanência da escala 6×1, Luciana afirmou:
“Eu trabalho cinco por dois e, aos sábados, qualquer mulher que está nesse plenário, que está no centro urbano ou que está numa comunidade, vai ao salão de cabeleireiro. E vai estar fechado aos sábados para nos atender? (…) Aos domingos eu abasteço o supermercado, eu busco comida para minha família, eu compro remédio para minha mãe. Vai estar tudo fechado aos domingos para mim? É certo isso?”
A audiência reuniu representantes do governo, do setor empresarial, de entidades de trabalhadores e parlamentares para debater a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1. O texto está parado e ainda aguarda definição sobre sua tramitação no Senado, sob a presidência de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
O que propõe o fim da escala 6×1?
A proposta busca reduzir a jornada de trabalho por meio da reorganização das escalas e do revezamento entre os empregados, preservando o funcionamento das atividades essenciais e do comércio. Na prática, o objetivo é garantir que os trabalhadores tenham mais tempo para descanso, convivência familiar, lazer e cuidados com a saúde, sem interromper a prestação de serviços à população.
Para o Sindjuf-PA/AP, o debate precisa ser conduzido com base no conteúdo da proposta e nos impactos que ela pode trazer para a qualidade de vida de milhões de trabalhadores, evitando interpretações que associem, de forma equivocada, a redução da jornada ao fechamento do comércio ou à paralisação de serviços.
Veja o vídeo com as declarações da Diretora:
Foto/crédito: Pedro Stropasolas/Brasil de Fato





