“O hospedeiro está morrendo, o cara (servidor público) virou um parasita”. Foi essa a declaração do ministro da Economia, Paulo Guedes, em evento da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Com toda a carreira vinculada ao mercado financeiro – com um intervalo para participar da experiência da ditadura de Pinochet, no Chile –, Guedes foi um dos avalistas, junto ao sistema financeiro, da candidatura de Jair Bolsonaro (sem partido) à Presidência. Agora, como condutor econômico do governo, tenta aplicar um projeto de destruição dos serviços públicos, mirando nos servidores porque não pode dizer para a população que seu objetivo é acabar com a saúde pública, a educação pública e com os diversos serviços prestados por esses trabalhadores, destinando uma fatia cada vez maior das receitas da União para alimentar os especuladores aos quais sempre esteve ligado.

Guedes foi fundador e sócio majoritário da BR Investimentos, que hoje faz parte da Bozano Investimentos, empresa que investe em ações privadas. Também é um dos fundadores do Banco Pactual, que hoje integra o BTG Pactual. Em 2005, foi um dos criadores do Instituto Millenium, organização que busca disseminar ideias ultraliberais: por trás da ideia de “reduzir” o Estado, o que se busca é redirecionar os recursos do Estado, saindo dos serviços públicos para os bolsos dos especuladores – estes, sim, parasitando os impostos dos trabalhadores e trabalhadoras.

Paulo Guedes interrompeu sua atuação junto ao mercado financeiro para ir atuar na Universidade do Chile durante a ditadura de Augusto Pinochet, que deixou dezenas de milhares de mortos, torturados e desaparecidos e um sistema previdenciário que condena quase metade dos idosos do país a viverem abaixo da linha da pobreza. Foi no Chile, hoje convulsionado socialmente por essas mesmas políticas, que Guedes aprendeu o roteiro que tenta aplicar no Brasil.

Para construir no Brasil a lógica de Estado que viveu na ditadura chilena, Guedes ataca os servidores públicos reiteradamente. Tenta enganar a população criando uma falsa oposição entre os interesses de trabalhadores dos setores público e privado, sem dizer que, se os funcionários públicos são demitidos ou desvalorizados, os trabalhadores da iniciativa privada perdem o acesso a serviços essenciais.

É com esse sentido que o governo tenta aprovar o “Plano Mais Brasil”, composto por três propostas de Emenda à Constituição e que inclui, entre outros ataques ao serviço público, a redução dos salários dos servidores em até 25% (com redução proporcional da jornada). O Plano proíbe, ainda, a progressão e reestruturação de carreiras, além de suspender a criação de verbas indenizatórias e de despesas obrigatórias. Acaba, também, com os investimentos mínimos em saúde e educação, criando um “mínimo conjunto”.

A forma de combater essa lógica é a luta unitária da classe trabalhadora. Por isso, em 18 de março, acontece um dia nacional de mobilizações e greves em defesa do serviço público e das estatais. A data foi chamada pelas centrais sindicais e, no Judiciário, pela Fenajufe. No Rio Grande do Sul, os trabalhadores e as trabalhadoras do Judiciário Federal e do Ministério Público da União aprovaram em assembleia, no último sábado, 1º, a adesão à paralisação e a participação nas atividades de mobilização que ocorrem neste dia.

Fonte: https://www.sintrajufe.org.br/ultimas-noticias-detalhe/17039/guedes-verdadeiro-representante-dos-parasitas-ofende-servidores-e-quem-depende-dos-servicos-publicos