O Sindjuf-PA/AP conversou com profissionais da saúde para saber como é a realidade de quem está na linha de frente do combate ao covid-19 no Pará

Além da tensão para salvar vidas em meio ao potencial de contagio pelo Covid-19, os profissionais da saúde no Estado do Pará enfrentam a falta de equipamentos básicos de proteção para continuar, com segurança, a luta contra a pandemia que vem se alastrando pelo mundo.

Sem máscaras, luvas e outros meios de proteção, os trabalhadores da saúde que atuam para amenizar ao máximo os danos da pandemia, mesmo que isso custe a própria vida, se deparam com cenas de descaso quando pessoas simplesmente ignoram uma das principais armas contra a pandemia, o isolamento social.

O Sindjuf-PA/AP conversou com alguns profissionais que trabalham nos principais hospitais públicos da capital paraense. O nome dessas pessoas não será citado para resguardar a identidade desses trabalhadores que temem retaliações.

PSM do Guamá

Após um ano e sete meses fechado para reforma, o Hospital Pronto Socorro Municipal Humberto Maradei Pereira, localizado no bairro do Guamá foi reaberto no início do mês de março, mas apesar da nova estrutura falta o básico para que os profissionais do local trabalhem com dignidade.

De acordo com uma funcionária do PSM, há uma quantidade insuficiente de EPI’S (Equipamentos de Proteção Individual). Segundo ela, os trabalhadores contam com a ajuda de doações.

PSM da 14 de março

Após ter sido alvo de denúncia de profissionais da saúde que protestaram no dia 15 de março contra a falta de EPI’S e em favor da convocação dos aprovados no último concurso, ao que parece o Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti (PSM da 14), localizado no bairro do Umarizal, em Belém, continua com os mesmos problemas.  

Uma profissional da enfermagem do hospital conta que os colegas estão revoltados com o descaso em relação a segurança dos trabalhadores que precisam providenciar materiais caseiros para evitar ficarem doentes.

“São liberadas 10 unidades de máscaras cirúrgica de manhã e 10 e a mesma quantidade a tarde, porém, no setor onde trabalho são 4 técnicas e precisamos trocar as máscaras de 2 em duas horas. O capote de TNT eles dão um para cada, isso porque nós reclamamos. ”

A profissional que acabou adoecendo, apresentou sintomas de gripe, mas após procurar atendimento médico foi apenas medicada e liberada, sem passar por nenhum tipo de exame que descartasse a possibilidade de contaminação pela Covid-19.

“ Eu estava afastada e quando voltei os colegas estavam revoltados com a situação. Eu mandei fazer máscaras e avental para poder trabalhar, mas mesmo assim adoeci e muitos colegas estão doentes também.

Médico morre no Pará após complicações pelo Coronavírus

A Associação Médica de Carajás lamentou a morte do médico Carlos Augusto Estorari, vítima do Novo Coronavírus. O clínico geral atuava no Pronto Socorro e Hospital Geral no município de Parauapebas no Pará.

O médico tinha 48 anos e estava internado na Unidade de Tratamento Intensivo desde o dia 06 de abril.

O diretor do Sindmepa, Waldir Cardoso, denuncia que os profissionais sofrem com a quantidade insuficiente de Equipamento de Proteção Individual. Segundo ele, o Sindicato vem questionando juridicamente a prefeitura de Belém e denunciado a falta de EPI para o Ministério Público do Trabalho e MPE. Além disso o Sindicato abriu um canal de denúncia para os médicos.

Sindicato dos Enfermeiros

A presidente do SENPA (Sindicato dos Enfermeiros do Estado do Pará), Antônia Trindade, informou que a Entidade está atuando para que os direitos dos enfermeiros que atuam no Estado do Pará sejam garantidos.

Após receber denúncias sobre a escassez de EPIs dos profissionais da saúde de Santarém, o Senpa encaminhou, no dia 17 de março, oficiou à Prefeitura Municipal, à Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Santarém e demais órgãos de fiscalização, solicitando providências.

Em resposta, a Câmara Municipal de Santarém informou que irá diligenciar junto à Prefeitura, em caráter de urgência, a aquisição de EPIs e insumos necessários para o exercício dos profissionais, principalmente dos que estarão à frente na área assistencial durante a pandemia.

O Sindicato também deu andamento a Ações Civis Públicas ajuizadas na Justiça do Trabalho (TRT/8ª Região) que estão sendo protocolas em face de empregadores privados e de Municípios do Estado que estão com a prestação do serviço público precária, com insuficiência de Equipamentos de Proteção Individual e superlotação.

Além disso, especificamente em relação aos empregadores privados, o sindicato está requerendo o afastamento/realocação do enfermeiro integrante de risco.

Por Tainá Lima