Imagine um mundo onde homens e mulheres ocupam igualitariamente os mesmos espaços de poder, esse foi o tema da palestra “Mulheres em luta por: igualdade, liberdade e autonomia”, ministrada pela secretária de mulheres da Central Única dos Trabalhadores no Pará, Rai Barreto e a Militante da Marcha das Mulheres, Caroline Bernardo, durante evento alusivo ao Dia da Mulher no Sindjuf-PA/AP.

Em comemoração ao mês da mulher, o Sindjuf-PA/AP, por meio da coordenação de Assuntos Sócios-Culturais, realizou nessa sexta- feira (14) evento em homenagem as mulheres trabalhadoras do judiciário federal. O Sindicato, em parceria com a CUT/PA, abriu espaço para o debate sobre a paridade entre homens e mulheres.

A Paridade é tema de uma campanha nacional da CUT que luta por participação igualitária entre homens e mulheres nos postos de direção, cargos políticos e de representação. De acordo com a Central a paridade se sustenta como um princípio democrático e evita que o sexo seja critério de discriminação de mulheres no acesso ao poder.

Segundo a Militante Caroline Bernardo, a dificuldade das mulheres em ocupar determinados cargos na sociedade resulta da discriminação feminina, uma questão cultural que se consolida desde a infância, quando meninos e meninas recebem educações machistas.

“A gente percebe que a educação entre homens e mulheres é diferente. Enquanto o homem está ocupado com atividades que envolvem ambientes externos a casa, as mulheres são criadas para estarem dentro desse ambiente, exercendo atividades domésticas”, diz Caroline.

Para ela esse parâmetro de educação reflete na descriminação de mulheres quando essas ocupam cargos de exclusividade masculina. “Quando a mulher exerce um papel que antes era apenas desenvolvido por homens esse trabalho muitas vezes é desqualificado”, afirma a militante.

Um dos pontos de discussão da campanha é a implantação da paridade na direção dos sindicatos cutistas. A proposta é desafiadora, já que a participação feminina em movimentos políticos ainda é tímida. 

A secretária de mulheres da CUT Pará, Rai Barreto, não vê esse desafio como uma tarefa fácil, mas acredita que é preciso esforço e boa vontade das direções dos sindicatos.

“Não vai ser fácil implantar a paridade, a gente quer igualdade e para conseguir isso é necessário tirar homens das direções de sindicatos, o que não vai ser fácil, mas esse debate já é um ponta pé“, acredita.

Diante dos obstáculos na implantação da paridade na direção dos sindicatos, a participação feminina nitidamente se apresenta como um dos problemas, de acordo com a coordenadora de Imprensa do Sindjuf-PA/AP, Conceição Mota, essa situação é agravada tanto por condições culturais como por discursos direcionados às mulheres.

“Além da questão cultural ainda ouvimos que política é coisa de homem e as próprias mulheres absorvem esse discurso. Eu deixo um apelo para as nossas companheiras sobre a importância de participação da mulher. São discussões que dizem respeito ao nosso próprio interesse, será que vamos deixar que decidam por nós?”, indaga a coordenadora.

Entre as propostas para aplicação da paridade está a incorporação de uma nova concepção de trabalho, tendo em vista as atividades cotidianas realizadas pelas mulheres; buscar conhecer a realidade das trabalhadoras e assumir as propostas de reivindicações das mulheres.

Fonte: Imprensa Sindjuf-PA/AP