O 13 de maio não representa liberdade para o povo negro brasileiro. A data que marcou a assinatura da Lei Áurea, em 1888, foi por muito tempo apresentada pela história oficial como um gesto de bondade da princesa Isabel e do Império brasileiro. No entanto, essa narrativa construída pelas elites brancas esconde uma realidade dura: a abolição da escravidão ocorreu sem qualquer reparação, sem garantia de direitos e sem condições dignas de sobrevivência para a população negra.
Mais de 130 anos depois, os efeitos desse abandono continuam presentes no cotidiano do país. A chamada “abolição” não significou inclusão social, distribuição de terras, acesso à educação, moradia ou trabalho digno. Ao contrário: homens e mulheres negras, sequestrados de seus territórios de origem e submetidos durante séculos à escravidão, foram libertos apenas no papel e lançados à própria sorte.
Por trás da assinatura da Lei Áurea existiam interesses econômicos e políticos, e não uma motivação humanitária. O sistema escravista já sofria pressão internacional e enfrentava mudanças no modelo econômico. A elite brasileira percebeu que a escravidão se tornava insustentável, mas decidiu encerrar oficialmente aquele regime sem qualquer compromisso com a reparação histórica do povo explorado.
As consequências dessa falsa liberdade atravessaram gerações. A população negra foi empurrada para os subúrbios, periferias e favelas, sem acesso a condições mínimas de vida. Essa exclusão histórica se reflete até hoje na renda, no mercado de trabalho, no acesso a direitos e na violência que atinge a população negra de maneira desproporcional.
Racismo no mercado de trabalho
Mesmo representando cerca de 56,4% da população brasileira em 2025, pessoas negras continuam concentradas nos empregos mais precarizados, recebendo os menores salários e ocupando postos de maior vulnerabilidade.
A desigualdade salarial também escancara o racismo estrutural que organiza a sociedade brasileira. Trabalhadores negros recebem, em média, entre 34% e 42% menos que trabalhadores brancos. Mesmo quando possuem ensino superior, a diferença salarial permanece, chegando a aproximadamente 25%.
As mulheres negras são as mais afetadas
As mulheres negras estão entre as mais atingidas por esse processo histórico de exclusão. Elas apresentam maiores índices de desemprego, menores rendimentos médios e enfrentam múltiplas formas de violência e discriminação. Além disso, trabalhadores negros compõem a maior parte da mão de obra submetida a jornadas exaustivas e escalas precarizadas, como a 6×1, frequentemente associadas a baixos salários e menor proteção social.
Violência contra o povo negro
O racismo estrutural também aparece de forma brutal nos índices de violência. A população negra continua sendo a principal vítima de homicídios no Brasil, representando cerca de 75% das pessoas assassinadas no país. Jovens negros moradores das periferias concentram a maior parte das mortes violentas, revelando como raça, território e desigualdade social seguem profundamente conectados.
Por isso, o povo negro não reconhece o 13 de maio como uma data de celebração. O verdadeiro símbolo de resistência está no 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, que homenageia Zumbi dos Palmares, líder que lutou contra a escravidão e pela liberdade do povo negro.
Mais do que recordar o passado, a data reafirma a necessidade de fortalecer o combate ao racismo estrutural, construir políticas de reparação histórica, ampliar as lutas antirracistas no mundo do trabalho e conectar a pauta racial à luta da classe trabalhadora.
*Com informações da CUT
*Imagem criada com auxílio de IA.





