Objetivo é discutir os desafios da carreira, construir caminhos coletivos e fortalecer a organização da categoria
A cidade de Salvador, marcada pela força histórica dos povos indígenas e pela herança das matrizes africanas, torna-se palco, do dia 4 a 7 de junho, de um importante encontro de mobilização e debate sindical nacional: a XXV Plenária Nacional Ordinária da Fenajufe, em 2026. Na tarde desta quarta-feira (4), a plenária foi aberta, oficialmente, no auditório do Hotel da Bahia by Wish, com apresentação da cidade pelo cerimonial.
Ao longo de quatro dias, trabalhadoras e trabalhadores do Poder Judiciário da União (PJU) e do MPU participam do encontro, com o objetivo de discutir os desafios da carreira, construir caminhos coletivos e fortalecer a organização da categoria.
A escolha da capital baiana não foi por acaso. Berço de resistência, cultura e identidade, Salvador carrega símbolos a memória da luta popular que ajudou a construir o Brasil e reafirma a importância da mobilização coletiva em defesa da liberdade, da dignidade e da justiça. É justamente esse espírito que orienta a plenária: nenhum direito é conquistado sem mobilização.
A abertura do evento reuniu a coordenação-geral da Fenajufe – representada pelas coordenadoras Soraia Marca, Luciana Carneiro e pelo coordenador Edson Mouta –, além da coordenadora de comunicação do Sindjufe/BA, Denise Carneiro, representando o sindicato anfitrião. A mesa deu as boas-vindas aos participantes, entre delegadas(os), observadoras(es), convidadas(os), destacando o compromisso de construir um espaço democrático, participativo e à altura dos desafios atuais.
Em sua fala, a coordenadora Soraia Marca agradeceu a presença dos participantes, que deixaram suas casas e famílias para contribuir com o debate coletivo. Ela trouxe uma reflexão inspirada em poesia, ressaltando a importância de manter viva a esperança e a luta: “Cantamos porque cremos nessa gente e porque venceremos a derrota”, destacou, convidando os presentes à união em torno dos objetivos da categoria.
Luciana Carneiro também saudou os participantes e parabenizou o engajamento de todos na construção dos rumos da carreira. A coordenadora também fez um importante chamado contra o assédio e a discriminação durante o encontro. “Não queremos assédio nem discriminação. É preciso respeito entre todos, participantes, trabalhadores e trabalhadoras do evento”, afirmou, reforçando a importância de um ambiente seguro e acolhedor.
Já o coordenador Edson Vasconcellos destacou a alegria de realizar a plenária e agradeceu o apoio do Sindjufe/BA na organização. Ele lembrou que, apesar do tempo, os desafios enfrentados pela categoria permanecem significativos, especialmente diante de um cenário político incerto e de disputas por orçamento no âmbito do Judiciário. “Os desafios não são pequenos, mas é acreditando no amanhã que seguimos construindo nossa luta”, afirmou.
Representando o sindicato anfitrião, Denise Carneiro abriu sua fala com a apresentação de um vídeo relembrando participações em mobilizações históricas da categoria na Bahia. Em seguida, chamou toda a diretoria do sindicato da Bahia para dar as boas-vindas aos participantes e ressaltar a importância de concentrar esforços na construção da luta pela reestruturação da carreira. Assista:
Filhas de Gandhy
Após o início dos debates sobre o regimento interno, o grupo de afoxé feminino “Filhas de Gandhy”, tradicional da Bahia e amplamente reconhecido no cenário cultural regional, interpretou canções como “Axé e Louvor”, “Muito Obrigada”, “Axé”, “Ijexá”, “Banho de Folhas” e “Faraó”, entre outras, encantando o público com sua musicalidade e valorização das raízes afro-brasileiras. Assista:
Depois da apresentação cultural, foi debatido e aprovado o regimento interno da plenária de Salvador. A programação inclui debates, análises de conjuntura e a construção do plano de lutas que orientará os próximos passos dos trabalhadores e trabalhadoras do Poder Judiciário da União. A expectativa é que as deliberações fortaleçam a articulação nacional e consolidem um calendário de ações em defesa dos direitos, da valorização de carreira e da democracia.
Opressões e avaliação de políticas de equidade, inclusão e interseccionalidade como eixos estruturantes da luta sindical
Tema da primeira mesa da plenária, o enfrentamento ao assédio também foi aprovado no regimento interno, com a criação de uma comissão para atuar durante todo o encontro. A mesa foi conduzida pelas coordenadoras Paula Meniconi, Maria Íris e pelo coordenador Fábio Saboia. Assista:
Em sua análise, a secretária nacional de Políticas Sociais e Direitos Humanos da CUT Nacional, Jandyra Uehara, destacou a necessidade de unificar o movimento sindical na luta contra big techs, pela redução de jornadas abusivas e pela implementação de uma Política Nacional de Cuidado.
Em um dos discursos mais emocionantes da Plenária, a mestre e doutoranda Sara York falou sobre opressões em torno das experiências LGBT+. A educadora e ativista apresentou desafios de uma sociedade marcada pelo preconceito. “Apesar das cinco graduações, ainda sou aquela criança pedindo para ser respeitada”. York expôs um contexto social em que pessoas trans e travestis ainda enfrentam exclusão, embora estejam na linha de frente de conquistas fundamentais para a classe trabalhadora, como o fim da escala 6X1. “Eu sigo acreditando na mudança real”.
Em seguida, a diretora do Sintrajufe-PI, Maria Madalena Nunes, trouxe provocações sobre a opressão de raça e questões do racismo estrutural. Para a dirigente, trazer as pautas dos movimentos sociais para o sindicalismo obriga o judiciário, poder essencialmente branco e masculino, a discutir e aprovar esses temas. “Precisamos radicalizar uma democracia que sonhamos, mas que ainda não existe para nós”.
A mesa foi encerrada pela psicóloga e doutoranda em saúde coletiva Jennifer Farias, que relacionou capacitismo e capitalismo a partir de sua experiência como cadeirante. “Esse sistema que produz pessoas com deficiência não sabe o que fazer com elas. Não queremos que nos coloquem como vítimas ou heróis, porque isso tira do poder público a responsabilidade”, afirmou. A psicóloga também destacou que a deficiência pode fazer parte da vida de qualquer pessoa, reforçando a importância de sindicatos e demais organizações incorporarem esse debate à defesa de direitos.





