Na última quarta-feira, 13 de maio, o Brasil celebrou 30 anos da criação da urna eletrônica, uma inovação que transformou a organização das eleições e se consolidou como um dos principais instrumentos da democracia brasileira. Desde a primeira experiência, em 1995, o sistema evoluiu para atender a um eleitorado crescente e garantir votações em um país de dimensões continentais.
Além do trabalho de milhares de servidoras, servidores, mesárias e mesários, a realização das eleições depende de uma ampla estrutura tecnológica e logística distribuída por todo o território nacional. No pleito municipal de 2024, foram utilizadas 571.024 urnas eletrônicas, incluindo equipamentos de contingência preparados para substituição imediata em caso de necessidade.
As urnas brasileiras são dispositivos desenvolvidos exclusivamente para a votação e funcionam sem conexão com a internet, característica considerada uma das principais camadas de proteção do sistema eleitoral. Antes de cada eleição, o código-fonte é disponibilizado para auditoria de instituições como partidos políticos, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Polícia Federal e universidades.
A integridade do voto é garantida por diferentes mecanismos de segurança, entre eles assinatura digital, lacres físicos e digitais, testes públicos e auditorias realizadas em várias etapas do processo eleitoral. Ao longo das últimas décadas, o modelo brasileiro passou a ser reconhecido internacionalmente pela rapidez da totalização dos votos e pela capacidade de operação em larga escala.
Logística em um país continental
Levar as urnas eletrônicas aos locais de votação exige uma das maiores operações logísticas do serviço público brasileiro. Em 2024, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas coordenou uma das distribuições mais complexas do país: equipamentos foram transportados por embarcações, aeronaves e veículos terrestres até comunidades ribeirinhas e localidades de difícil acesso.
No Rio Grande do Sul, as enchentes registradas em maio de 2024 impuseram desafios extras à Justiça Eleitoral. Houve necessidade de reorganização de locais de votação e transferência de seções eleitorais em diversas cidades atingidas. Mesmo diante das dificuldades, a votação ocorreu nas datas previstas em todos os municípios gaúchos.
Em comunidades indígenas de diferentes regiões do Brasil, mesárias e mesários receberam treinamento específico, com materiais adaptados às realidades culturais e linguísticas locais. A medida buscou ampliar a inclusão e assegurar o acesso ao processo eleitoral em áreas remotas.
Transparência e divulgação dos resultados
Depois de percorrerem longas distâncias até os locais de votação, os votos seguem para a etapa de apuração. Em 2024, a totalização ocorreu de forma contínua logo após o encerramento da votação, permitindo que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgasse os resultados em tempo real nas primeiras horas da noite.
Ao fim da votação, cada urna emite o chamado boletim de urna — documento com o resultado daquela seção eleitoral, assinado digitalmente e transmitido por rede segura. Esses dados ficam disponíveis para consulta pública, possibilitando que qualquer cidadã ou cidadão confira os resultados de forma independente.
Próximos desafios
A próxima eleição brasileira ocorrerá em outubro de 2026, quando eleitoras e eleitores escolherão presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais. A expectativa da Justiça Eleitoral é de que mais de 158 milhões de pessoas estejam aptas a votar.
A tendência é que a estrutura eleitoral continue passando por atualizações tecnológicas, mantendo os mecanismos de auditoria, fiscalização e transparência que marcam o sistema eletrônico de votação brasileiro.
Três décadas após a adoção das primeiras urnas eletrônicas, o Brasil segue realizando eleições em escala continental, combinando tecnologia, participação social e capacidade logística para garantir o funcionamento do processo democrático em todas as regiões do país.
Foto/Crédito: Antonio Augusto/Ascom/TSE
Fonte: TSE





