O Sindjuf-PA/AP participou nesta segunda-feira (14) da primeira reunião com a nova gestão da Seção Judiciária do Pará (JF-PA), que estará à frente da administração até 2028. O encontro teve como objetivo apresentar a entidade sindical e discutir as principais demandas dos servidores, além de estabelecer um canal de diálogo permanente com os novos gestores.
Participaram os coordenadores do Sindjuf-PA/AP Abreu Nunes, Waldson Silva e Conceição Mota (Ciça), Mônica Genú, servidora da JF-PA e atual conselheira fiscal do sindicato, além do Fabrício Acácio, assessor da Diretoria e Raimundo Dickson, Jurídico Assessor Jurídico. Pela Justiça Federal, participaram os juízes federais Dr. Marcelo Elias Vieira e Paulo César Moy Anaisse, diretor e vice-diretor do Foro, respectivamente. Também estiveram presentes o secretário de Gestão de Pessoas, Ednilson de Jesus Silva e Bernadete Bahia, assessora da direção do Foro.
Além de abrir canais de diálogo a reunião teve como objetivo apresentar a pauta de reivindicações da categoria.
Déficit de servidores e envelhecimento da força de trabalho
Entre os pontos apresentados, a necessidade de recomposição da força de trabalho foi destacada por Mônica Genú que falou sobre a carência de servidores e envelhecimento da categoria, cenário que também tem sido acompanhado pelo aumento dos casos de adoecimento.
“É uma categoria que está envelhecendo e adoecendo. Por isso, mais uma vez, destacamos a necessidade de mais vagas para o ingresso de novos servidores”, ressaltou Mônica.
A servidora também defendeu a importância de uma política de humanização no ambiente de trabalho, com atenção especial ao funcionamento das comissões responsáveis por apurar e prevenir situações de assédio.
“O assédio moral é real, é uma coisa muito grave. O servidor está esgotado”, destacou.
O vice-diretor do Foro, Paulo César Moy Anaisse, destacou a importância de identificar a real dimensão dos casos de assédio moral e sexual na instituição.
Segundo ele, a administração não medirá esforços para combater essas situações e reconheceu que a aproximação com o Sindicato pode contribuir para o avanço das ações.
Saúde mental e combate ao assédio
A saúde mental dos servidores foi um dos temas centrais da reunião. Fabrício Acácio destacou que o Sindicato tem recebido relatos de cansaço e adoecimento entre os trabalhadores, situação que afeta não apenas a qualidade de vida dos servidores, mas também o funcionamento da instituição.
“O que nós percebemos e o que chega ao sindicato é a situação atual de adoecimento e cansaço”, afirmou.
Fabrício também chamou atenção para o efeito do afastamento de servidores por motivo de saúde. Segundo ele, quando um trabalhador adoece e precisa se afastar, abre-se uma lacuna na força de trabalho, o que pode aumentar a quantidade de tarefas atribuídas aos servidores que permanecem em atividade.
Diante desse cenário, o Sindicato sugeriu a criação ou o fortalecimento de canais de denúncia de assédio que ofereçam maior segurança e confiança aos trabalhadores que precisam relatar situações de violência no ambiente laboral.
O secretário de Gestão de Pessoas, Ednilson, comprometeu-se em verificar o funcionamento das comissões relacionadas ao tema. A administração também se comprometeu a realizar um levantamento sobre a taxa de adoecimento mental dos servidores.
Ednilson informou ainda que a Seção Judiciária já conta com uma psicóloga pertencente ao quadro e que recentemente passou a dispor também de um fisioterapeuta para atendimento aos servidores.
Pressões sobre a categoria e desafios para o serviço público
O assessor jurídico do Sindicato, advogado Raimundo Dickson, também abordou o envelhecimento da categoria, com atenção especial aos oficiais de justiça e aos agentes da Polícia Judicial (APJs). Ele destacou que, além das dificuldades relacionadas à força de trabalho, os servidores enfrentam novas pressões decorrentes das transformações no Judiciário, incluindo o avanço da inteligência artificial.
“É uma preocupação que a gente pode debater e unir forças para trabalhar nessas questões e ter uma resposta melhor do governo. A tendência é ter uma pressão ainda maior dos quadros do Poder Judiciário”, afirmou.
O diretor do Foro lembrou os desafios enfrentados pelo Judiciário diante das atuais políticas de produtividade e das restrições orçamentárias.
Ao abordar a política fiscal, o diretor avaliou que o congelamento de despesas produz impactos sobre a capacidade de expansão do serviço público. “A partir do momento que você congela a despesa, a consequência é você estrangular o avanço do poder público. Isso que está acontecendo é uma consequência da política fiscal do país”, afirmou.
Reestruturação da carreira e recomposição da força de trabalho
O coordenador Waldson Silva destacou a luta histórica pela reestruturação da carreira e a necessidade de recompor a força de trabalho do Judiciário Federal. Ele defendeu a realização de um estudo técnico que permita identificar o déficit de servidores e dimensionar as necessidades da Seção Judiciária.
Waldson também ressaltou a necessidade de ampliação do número de cargos, especialmente para oficiais de justiça, como forma de enfrentar a sobrecarga e garantir melhores condições para a prestação jurisdicional.
Sindicato defende diálogo permanente
A coordenadora Conceição Mota ressaltou que a reunião representa uma oportunidade de fortalecer a interlocução entre o Sindicato e a administração.
“Estamos justamente tentando abrir esse canal de diálogo. Viemos buscar esse apoio. A nossa pauta maior é a valorização dos serviços públicos e dos servidores.”
Por fim, o Sindjuf-PA/AP reforçou a importância da continuidade das reuniões e da construção de uma relação institucional baseada no diálogo, na confiança, no respeito e na busca conjunta por soluções para os problemas que afetam os servidores e a qualidade do serviço público.
A expectativa é que o diálogo tenha continuidade ao longo da gestão, com o acompanhamento das demandas apresentadas e levantamento, junto aos servidores, das reais necessidades estruturais e organizacionais na Seção Judiciária.
Os representantes sindicais reforçaram a necessidade da criação de novos cargos para recompor a força de trabalho e solicitou o apoio da administração nessa luta.
O diretor do Foro, por sua vez, sugeriu a realização de encontros periódicos entre a administração e o Sindicato. A proposta é que a aproximação contribua para a construção conjunta de políticas de melhoria do ambiente de trabalho, tornando as ações mais efetivas e produtivas.
A reunião marcou, assim, o início de uma interlocução que o Sindjuf-PA/AP pretende manter ao longo da gestão, com o acompanhamento das demandas da categoria e a busca por soluções que fortaleçam a Justiça Federal e valorizem seus servidores.
Sindicato dá boas-vindas a novo servidor
Na saída da Seção Judiciária, a comitiva do Sindjuf-PA/AP também teve a oportunidade de encontrar o servidor Elyson Conceição, recém-empossado nesta segunda-feira. O encontro foi marcado por uma recepção especial ao novo integrante da Justiça Federal. Aproveitando a ocasião, o Sindicato apresentou a entidade e o convidou a conhecer o trabalho desenvolvido em defesa da categoria, além de integrar-se ao movimento sindical por meio da filiação.











