Sua vida é inspiradora. Estamos falando de Maria Adélia Mercês Oliveira, servidora aposentada do TRT da 8a Regiāo, coordenadora e uma das fundadoras do Sindjuf-PA/AP. Adélia Mercês carrega na memória lembranças de uma época de muita dedicação, trabalho e histórias para contar. Ela lembra com saudosismo e alegria as experiências e aprendizados compartilhados em sua trajetória profissional.

Dra. Adélia, que aos 92 anos esbanja vitalidade, mesmo aposentada, continua participando ativamente de atividades políticas e sindicais em favor da classe trabalhadora, em especial da categoria do Judiciário Federal.

Sua vida profissional começou cedo. Com apenas 12 anos de idade, Adélia já ministrava aulas de português e matemática.

“Eu era estudante do IEP. Pela manhã ia à escola, à tarde eu tinha uma escolinha em casa com mais de 50 alunos e à noite dava aulas de português e matemática para soldados da Aeronáutica e PM’s na preparação para as provas do Curso de Sargentos”. Apesar da experiência, Adélia lembra que esse tempo não contou para sua aposentadoria. Porém não demorou muito para que finalmente ela se tornasse formalmente uma professora. Em 1948, já diplomada, assinou seu primeiro contrato com a Secretaria de Educação do Pará.

“Foi quando trabalhei em vários colégios entre os quais a Escola Tenente Rego Barros e Professora Anésia, até 1950, quando fui exonerada pelo então governador Zacarias de Assunção, por motivo político, por ser cabo eleitoral de seu antagonista, Magalhães Barata (sempre fui oposição)”. A professora Adélia lecionou entre 1954 a 1959 na Escola Sto. Agostinho dos Padres Crúzios e por 8 anos na Escola Madre Zarife Sales. Durante sua carreira como educadora também foi diplomada em Geografia pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e em Auxiliar de Puericultura (ciência que reúne todas as noções de fisiologia, higiene e sociologia que visa favorecer o desenvolvimento físico e psíquico das crianças) pelo Departamento Nacional da Criança.

Adélia e suas colegas do M. do Exército.

 

Adélia almoçando com professoras no Madre Zarife.

Alçando novos voos, começou a se preparar para concursos. Ela lembra com orgulho que foi aprovada em todos os certames prestados.

“O meu emprego como concursada foi no IAPI de março de 1954 a novembro de 1957 (os Institutos ainda não eram unificados). De dezembro de 1957 a abril de 1972 trabalhei no Ministério do Exército, onde passei um bom período da revolução militar. Senti na pele, razão pela qual sou contra a volta da ditadura militar”.

No dia 17 de abril de 1972, Adélia ingressou na Justiça do Trabalho e fez parte do quadro de servidores do TRT 8ª até 20 de junho de 1980, quando se aposentou por tempo de serviço.

Antes de se aposentar, Adélia ainda se formou em Direito pela Universidade da Amazônia (Unama), em 09 de fevereiro de 1979. “Como eu era funcionária pública só pude me inscrever na OAB quando me aposentei. Sou advogada militante desde dezembro de 1980 e este ano também completarei 40 anos de advocacia”, conta ela.

Maria Adélia, formanda em Direito em 1979

Vida Sindical

Maria Adélia também começou sua trajetória sindical cedo, com 14 anos já frequentava, como simpatizante, um dos ramos da Ação Católica. Também aos 16 anos foi dirigente de um dos núcleos da ação. “Sempre lutei pela classe operária, inclusive, auxiliando o Padre Thiago nas obras sociais do Círculo Operário”.

Adélia (ao centro) no Congresso da Fenajufe

Adélia tem marca registrada na história sindical da categoria do Judiciário Federal, ela foi uma das fundadoras do Sindicato dos Servidores da Justiça do Trabalho 8a Região (Sintra 8ª) que mais tarde se unificaria ao Sindicato dos Servidores da Justiça Eleitoral e aos ramos da Justiça Federal e Militar para dar origem ao atual SINDJUF-PA/AP. “Nessa época eu defendia os funcionários do judiciário, pois não era permitido fundar sindicatos. Já com a Carta magna de 1988 em vigor fundamos o Sintra 8ª e posteriormente o Sindjuf-PA/AP”, relembra. Adélia também foi fundadora da Fenastra, a Federação das Astras e fundadora da Fenajufe ao lado do atual coordenador de Finanças e Patrimônio do Sindjuf-PA/AP, Ribamar França.

Delegação do Sintra 8ª intervalo durante Plenária

No ano em que Dra Adélia, D. Adélia, Adélia ou simplesmente Adelinha, para os mais íntimos, comemora os seus 40 anos de aposentada, o Sindjuf-PA/AP homenageia essa mulher guerreira que, com seu trabalho, dedicação e luta, tanto contribuiu e continua contribuindo para a construção de um país melhor e mais justo, como também com a luta sindical. Sua história, suas experiências, seus ensinamentos e sua militância são exemplos e inspiração para todos e todas nós que fazemos o Judiciário Federal do Pará e Amapá e para muitos companheiros e companheiras de diversos estados da federação. Parabéns, Adélia!

Depoimentos e Homenagens

Mara Rejane Weber – coord. Sintrajufe/RS: Conheci a Dona Adélia quando comecei a participar das atividades nacionais da Fenajufe, lá por 2003. Via aquela senhora tão frágil enfrentar reuniões longas, sempre firme ali no plenário. ali já admirava aquela mulher que servia a todos e todas nós como um exemplo de força. Algum tempo depois tive a felicidade de conhece-la melhor e admiração virou amor. Ela é força e delicadeza, firmeza e consciência, amiga e guerreira. Nos piores momentos que vivemos nunca vacilou. enfrentou o golpe de 2016, defendeu a liberdade de Lula e a Democracia. pra mim é exemplo, é aconchego e a certeza de que lutar e viver pelo que se acredita vale muito à pena. obrigada. Beijo.

Alice Romana – Fundadora do Sindjuf-PA/AP e Analista do TRT 8.ª: APOSENTADA, SIM, INATIVA, JAMAIS. Foi assim que conheci Adelinha, na fundação do primeiro sindicato dos trabalhadores da Justiça do Trabalho do Pará e Amapá – SINTRA8ª. Eu, com quase 5 anos de casa e Adélia já aposentada há uma década. Sempre ativa. Participamos juntas da primeira diretoria do sindicato, com valorosos companheiros (João Carlos, Dorival, Socorro, Fátima Penna, Barros, Miguel e tantos outros). Anos depois, foi com Adelia à frente que adentramos pela sede do sindicato pra cobrar do então presidente que convocasse as já atrasadas eleições da entidade, que foram as últimas, porque partimos (com o mesmo grupo de bravos lutadores) para a aventura maior de unificar os sindicatos do Judiciário Federal e, com os guerreiros do TRE-PA, TRE/AP, JF/PA, JF/AP e da JM, criar o SINDJUF-PA/AP.

Mas, não é só na luta coletiva que o exemplo de Adelinha nos encanta. Mãe extremosa, avó incomparável, amiga inimaginável, jogadora de dominó e de futebol de mesa imbatível, ela é o IMÃ que nos atrai, lidera e mantém juntos, mesmo diante de todas as crises e dificuldades que enfrentamos, em uma labuta quase sempre não reconhecida e, algumas vezes, inglória, mas que sabemos ser necessária e indispensável.

Hoje, quando me preparo para a transição da vida funcional ativa para a aposentadoria, a única frase que me norteia é o lema de Adelinha. Espero que possa seguir seus passos, não no ritmo incansável e exuberante que a caracteriza, mas de forma mais cadenciada, porém constante. Adélia das Mercês, aposentada, sim, inativa, jamais, há 40 anos,  você é o “*o poder que nos levanta. A força, que nos faz cair,Qual de nós ainda não sabe que isso tudo te faz, Dona”, Dona Adélia, Dra. Adélia, ADELINHA para os íntimos, nossa grande mestra, a luz que guia todos os seus familiares e amigos.

Parabéns pelos 40 anos de aposentadoria, obrigada pela inestimável honra de privar de sua amizade. Que Deus a proteja e guarde.

* (Música Dona – Composição: Guarabyra / Sa)