O debate dessa quinta-feira (02) contou com a participação do mestre em filosofia e sindicalista, Roberto Ponciano. Ele é servidor do TRF 2ª Região, professor de filosofia e sociologia política, ex-coordenador da Fenajufe e do Sisejufe-RJ. Atualmente é membro da diretoria da Central Única dos Trabalhadores no Rio de Janeiro.

O palestrante resgatou um histórico dos acontecimentos políticos desde 2013 até os dias atuais. Mencionou a mobilização feita pela categoria do PJU e MPU em apoio a derrubada do veto 26, referente ao PLC 28/2015, projeto que na época repunha apenas percentuais devidos a partir de 2006, e tramitava no Congresso Nacional, sem avanços, desde 2009.

Roberto lembrou que naquele momento já previa em seus discursos que o país caminhava para um cenário de desmonte dos direitos trabalhistas e sociais, e para algo pior, o fascismo.

“Vai vir reforma da previdência, vai vir congelamento, nossa vida irá desmoronar. Mas muita gente não acreditava.” Relembrou ele.

Analisando o cenário atual, Ponciano afirmou que a situação é desanimadora, pois o atual governo trabalha para elites, e os servidores públicos estão com salários congelados por PEC e com risco de não receber reajuste durante 10 anos. Lembrou ainda que os retrocessos estão sendo construídos em cima da falácia de responsabilidade fiscal, quando, na verdade o dinheiro do povo é aplicado na dívida pública.

Ao falar das diversas perdas acumuladas desde o Governo de Michel Temer, Ponciano mencionou que os sindicatos estão cada vez mais em difícil situação e isso agrava a capacidade de reação da classe trabalhadora que não poderá contar com a estrutura das entidades de classe para realizar mobilizações.

“Tiraram um combustível do movimento social. A coisa está feia para o nosso lado. O resultante desse desmonte é um pântano, onde você pode ficar anos nisso, sem começar a se mexer. Os sindicatos não têm mais como se manter, já estão em grande dificuldade e isso dificulta muito a organização sindical.”

Ponciano denuncia que a destruição dos direitos sociais é em massa, se apresenta também com a invasão a terras indígenas, desmonte do IBAMA e das leis de proteção ambiental.

“Eu não vejo uma solução de curto prazo”, disse Ponciano.

As intervenções dos participantes destacaram o trabalho precário e os desafios que trabalhadores estão enfrentando para se organizarem. Foi discutido também a dificuldade que a categoria tem de se reconhecer como classe trabalhadora e como há um sentimento de rejeição aos movimentos sociais dentro da categoria.

“Os movimentos sociais não são bem compreendidos, ou não são aceitos. Uma frase recorrente é que a nossa categoria é elitizada, que não se identifica como classe trabalhadora”, comentou a participante Conceição Mota, durante sua intervenção.

Pelas falas do debatedor e pelas intervenções dos participantes ficou bastante claro que a situação que já estava difícil após o golpe de 2016, piorou bastante com a eleição do governo Bolsonaro que trabalha somente para defender os interesses do mercado em detrimento dos direitos da classe trabalhadora. Por isso é importante que os sindicatos e os trabalhadores se organizem junto aos diversos movimentos sociais para enfrentar, resistir e derrotar esse governo destruidor do país e do povo brasileiro.

O Ciclo de Debates tem proporcionado importantes momentos de formação sindical e política e de mobilização da categoria por meio virtual. Por isso, o próximo encontro já está agendado paro o dia 16 de julho.