Neste 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, o debate sobre saúde mental ganha destaque. Mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, foram registrados 15.507 suicídios em 2021, dos quais 77,8% ocorreram entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a 27ª principal causa de morte no país.
Entre os jovens, o problema também chama atenção. Em 2019, o suicídio foi a quarta principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos no mundo. No Brasil, foi a segunda principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos.
Embora o Brasil esteja na 155ª posição entre 214 países e territórios em relação às taxas de suicídio padronizadas por idade, o cenário nacional ainda exige atenção e políticas de prevenção.
Saúde mental no Poder Judiciário
A realidade também precisa ser observada dentro dos ambientes de trabalho. Dados do 2º Censo do Poder Judiciário, realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mostram que a ansiedade e o estresse fazem parte da realidade de uma parcela significativa dos servidores que participaram da pesquisa.
47,9% relataram sofrer de ansiedade, enquanto 37,4% apontaram estresse.
Em relação a situações mais graves, 1,9% dos servidores relataram ter ideias suicidas, enquanto 1,1% indicaram consumo de álcool e/ou outras drogas.
A pesquisa também identificou diferenças entre homens e mulheres no uso de medicamentos para controle de estresse e ansiedade relacionados às atividades profissionais. Entre as servidoras, 32,6% relataram fazer uso desses medicamentos, contra 22,5% dos servidores.
Assédio e violência também afetam a saúde
A saúde mental no trabalho não pode ser dissociada das condições em que o serviço é realizado. Assédio, discriminação, pressão e sobrecarga também podem comprometer o bem-estar dos trabalhadores.
No 2º Censo do Poder Judiciário, 22,9% dos servidores afirmaram já ter vivenciado algum episódio de assédio relacionado à atuação profissional.
Os dados da 2ª Pesquisa Nacional de Assédio e Discriminação no âmbito do Poder Judiciário, realizada pelo CNJ em 2023, são ainda mais expressivos: 58,3% dos servidores disseram já ter sofrido assédio ou discriminação.
Quando considerados os recortes de gênero, 25,2% das mulheres relataram ter sofrido assédio, diante de 20,6% dos homens.
Saúde mental também é pauta de trabalho
Para o Sindjuf-PA/AP, discutir prevenção ao suicídio também significa olhar para as condições concretas em que servidoras e servidores desempenham suas atividades.
A pressão por metas, o volume de processos, a cobrança por produtividade e a sobrecarga decorrente da digitalização acelerada podem contribuir para o surgimento ou agravamento de problemas como estresse crônico, burnout e depressão.
Por isso, a saúde mental não deve ser tratada apenas como uma questão individual. Ambientes de trabalho saudáveis, relações respeitosas, prevenção ao assédio e condições adequadas para o exercício profissional também fazem parte da promoção da saúde.
O Sindicato reforça que a saúde física e mental da categoria é uma pauta permanente e aproveita o Setembro Amarelo para reafirmar esse compromisso.
Onde buscar ajuda:
- CAPS da sua cidade;
- CVV – 188: atendimento gratuito, sigiloso e 24 horas por dia para quem precisa conversar ou de apoio emocional. Mais informações e atendimento pelo chat: cvv.org.br.
*Com informações do Ministério da Saúde e CNJ.





