Neste 12 de junho, Dia Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, os dados mais recentes reforçam a necessidade de ampliar as ações de proteção à infância e adolescência no Brasil. Estudo divulgado em 2025 pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) revela que a maioria das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil no país é composta por jovens negros que vivem fora das capitais e regiões metropolitanas.
O diagnóstico inédito, intitulado “Dimensões do Trabalho Infantil no Brasil: desafios persistentes e caminhos para acelerar a erradicação”, reúne informações oficiais referentes a 2023 e traça um panorama detalhado sobre o perfil das crianças e adolescentes submetidos ao trabalho precoce, suas condições de vida, escolaridade, ocupações e os riscos aos quais estão expostos.
Segundo o levantamento, 1,607 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos estavam em situação de trabalho infantil em 2023, o equivalente a 4,2% da população nessa faixa etária. Embora seja o menor índice registrado pelo IBGE desde o início da série histórica, em 2016, o número ainda preocupa.
Do total de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, 586 mil exerciam atividades consideradas perigosas, insalubres ou degradantes — uma realidade que afeta cerca de quatro em cada dez trabalhadores infantis.
► Perfil predominante
Os dados mostram que a maioria das vítimas do trabalho infantil é formada por:
- Meninos (1,026 milhão);
- Crianças e adolescentes negros (1,259 milhão);
- Jovens de 16 e 17 anos (895 mil);
- Moradores de áreas urbanas (1,174 milhão);
- Residentes fora das capitais e regiões metropolitanas (1,291 milhão);
- Habitantes das regiões Nordeste (506 mil) e Sudeste (478 mil).
As atividades mais frequentes estão na agropecuária, no comércio e no setor de serviços. Muitos atuam como empregados ou trabalhadores na produção para o próprio consumo, exercendo funções que podem comprometer seu desenvolvimento físico, emocional e educacional.
Trabalho infantil doméstico atinge principalmente meninas negras
Quando o foco é o Trabalho Infantil Doméstico (TID), o perfil muda significativamente. Em 2023, cerca de 77 mil crianças e adolescentes estavam nessa condição. Desse total, 82% eram meninas e 62% negras, evidenciando a forte relação entre trabalho infantil, desigualdade de gênero e racismo estrutural.
Pobreza e desigualdade seguem impulsionando o problema
O estudo aponta que o trabalho infantil está diretamente ligado à pobreza e às desigualdades sociais. A maioria das crianças e adolescentes nessa situação vive em domicílios com renda per capita de até meio salário mínimo.
Embora 86,1% frequentem a escola, esse percentual é inferior à média nacional de 97,5%, demonstrando que o trabalho precoce também compromete o acesso e a permanência na educação.
Além disso, a pandemia da COVID-19 agravou a vulnerabilidade de milhares de famílias, contribuindo para o aumento dos riscos de inserção precoce de crianças e adolescentes no mercado de trabalho.
Desafio para o Brasil
Dados do IBGE referentes a 2024, divulgados após a conclusão do estudo, mostram uma interrupção da tendência de queda observada nos anos anteriores. O país registrou 1,650 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, sendo 560 mil submetidos a uma das piores formas de exploração.
Os números demonstram que o Brasil ainda está distante de cumprir a Meta 8.7 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que previa a erradicação do trabalho infantil até 2025.
Neste Dia Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, a data serve como um alerta para a sociedade e para o poder público sobre a necessidade de fortalecer políticas de proteção social, combate à pobreza e garantia dos direitos de crianças e adolescentes. Infância é tempo de estudar, brincar e se desenvolver — nunca de trabalhar.
► Confira aqui o estudo completo.
Foto/crédito: Canva PRO
Fonte: Nações Unidas do Brasil e OIT





