sábado, 28 fevereiro, 2026
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“ÓCIO DEMAIS FAZ MAL”: Para presidente de partido, redução da jornada irá expor pobres e sertanejos do nordeste a “drogas e jogos de azar”

O presidente do partido Republicanos, o deputado Marcos Pereira, disse que acabar com a escala 6×1 no Brasil vai fazer mal para os trabalhadores e trabalhadoras. Isso porque, segundo ele, permitir mais tempo de lazer fará com que as pessoas mais pobres fiquem mais expostas às drogas e aos jogos de azar.

As declarações de Marcos Pereira foram dadas em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, publicada nesta quinta-feira, 26. Perguntando sobre os projetos que visam proibir a escala de seis dias de trabalho e apenas um de descanso, ele disse que conversou com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, integrante de seu partido, sobre o tema. Motta teria dito que pautou o projeto porque “se eu não fizer, o governo vai fazer, então é melhor que a Casa tome o protagonismo”.

Perguntado sobre o forte apoio popular à medida, Pereira criticou: “o ócio demais faz mal”. E explicou: “A população vai fazer lazer onde? O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Pode ser o contrário. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?”. Para ele, portanto, o povo não tem dinheiro para lazer, nem interesse em ficar com a família, mas tem dinheiro para “drogas e jogos de azar”. Indicando que a solução não é aumentar os salários ou as opções de lazer, mas fazer com que os pobres trabalhem ainda mais.

Ex-ministro de Michel Temer faz propaganda do caos

Além de presidente do Republicanos e deputado federal, Marcos Pereira é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e foi ministro do governo de Michel Temer (MDB).

A fala de Pereira se liga ao discurso que vem sendo feito pelo mercado e por setores da imprensa, no sentido de que o fim da escala 6×1, assim como a redução da jornada de trabalho, traria prejuízos. Há uma tentativa de pintar um cenário de caos, de quebra da economia e de desemprego. O mesmo discurso utilizado quando os trabalhadores e trabalhadoras conquistaram outros direitos, como o 13º salário.

O “sonho de consumo dos empresários” é uma escala 996 (das 9h da manhã às 9h da noite, seis dias por semana). Por isso, vários comemoram a “reforma” de Javier Milei na Argentina, um retrocesso de mais de 100 anos que aumenta a jornada de trabalho, cria um salário “dinâmico” de acordo com a produtividade, enfraquece os acordos coletivos, entre outras medidas (veja AQUI).

Foto/Crédito: Divulgação Marcos Pereira/Instagram

Fonte: https://sintrajufe.org.br/para-presidente-de-partido-reducao-da-jornada-ira-expor-pobres-e-sertanejos-do-nordeste-a-drogas-e-jogos-de-azar/

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