As centrais sindicais realizam, nesta quinta-feira (8), às 10h (horário de Brasília), uma Plenária Nacional Virtual para discutir estratégias de organização e mobilização em defesa da redução da jornada de trabalho, do fim da escala 6×1 e da regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata da negociação coletiva no setor público.
A atividade será realizada por meio da plataforma Zoom e reunirá lideranças estaduais das centrais sindicais, além de representantes de sindicatos, federações e confederações de trabalhadores de todo o país. O objetivo é construir ações unitárias para fortalecer a mobilização em torno de pautas consideradas prioritárias para a classe trabalhadora no Congresso Nacional e nas mesas de negociação institucional.
Segundo as entidades organizadoras, a participação das lideranças sindicais é fundamental para ampliar a articulação nacional em defesa dos direitos trabalhistas e do fortalecimento da negociação coletiva nos setores público e privado.
Os interessados em acompanhar a plenária poderão acessar a transmissão pelo Zoom, utilizando o ID da reunião 874 4496 7484 e a senha 005033.
A realização da plenária ocorre em meio ao crescimento da pressão social pelo fim da escala 6×1. Pesquisa do instituto Real Time Big Data, divulgada na terça-feira (5), aponta que 71% dos brasileiros apoiam a substituição da jornada 6×1 pela escala 5×2. Apenas 26% se disseram contrários à mudança, enquanto 6% não souberam ou não responderam.
O levantamento indica que o modelo de seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso vem perdendo legitimidade social e passou a ser questionado por diferentes segmentos da população, especialmente diante do debate sobre qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e tempo de descanso.
O apoio à mudança aparece em diferentes campos políticos e ideológicos. Entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 84% defendem a adoção da escala 5×2. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), o índice é de 59%. Já entre simpatizantes de Ronaldo Caiado (PSD), o apoio chega a 66%.
Os números também mostram adesão majoritária entre eleitores de outras lideranças políticas: 68% dos apoiadores de Ciro Gomes (PSDB) defendem a mudança, enquanto entre os eleitores de Romeu Zema (Novo) o índice é de 52%. No eleitorado de Renan Santos (Missão), 56% se posicionam favoravelmente à proposta.
O avanço do debate no Congresso Nacional é impulsionado pela atuação de sindicatos e movimentos sociais, que transformaram a discussão sobre jornada de trabalho em uma das principais pautas do movimento sindical. O governo federal também incorporou o tema à agenda política e encaminhou ao Congresso o Projeto de Lei 1.838/26, em regime de urgência constitucional, propondo a redução da jornada semanal para 40 horas e a extinção da escala 6×1.
Mais do que uma discussão técnica sobre relações de trabalho, o debate reflete uma disputa sobre as condições de vida da classe trabalhadora e sobre os limites entre produtividade e bem-estar social.
A pesquisa do Real Time Big Data foi realizada entre os dias 2 e 4 de maio, com 2 mil entrevistados. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
*Com informações do DIAP.






